Ser artesão vai além de moldar um material. É um processo de transformação, onde cada peça carrega um pouco da nossa história e do nosso olhar sobre o mundo. Trabalhar com as mãos é também aprender a escutar os materiais — seja madeira, metal ou tecido — e permitir que revelem sua beleza de forma natural.
A arte não nasce apenas da técnica, mas do que se coloca nela. Sempre acreditei que metade da arte é amor, a outra metade é madeira — ou qualquer outro material que, ao ser trabalhado, leva consigo a intenção de quem o cria. Cada peça carrega lembranças e significados que vão muito além de sua forma física. Criar algo do zero é um ato de confiança: confiar no processo, na dedicação e na capacidade de transformar o simples em algo especial.
O momento da criação é solitário, mas o resultado é sempre coletivo. Cada peça que ganha forma em minhas mãos só se completa quando encontra alguém que a torne parte de sua história. O que começa como matéria-prima se torna algo vivo no uso, no toque, no significado que cada pessoa atribui a ela.
No Brasil, onde a arte artesanal se mistura com a cultura e as raízes de cada lugar, criar com as próprias mãos é um gesto de resistência e autenticidade. As tradições se mantêm vivas ao mesmo tempo em que se reinventam, e cada artesão encontra sua própria forma de expressão dentro desse ciclo.
A cada peça feita, aprendemos um pouco mais. O fogo que trata a madeira também transforma quem a molda. O metal que ganha forma também dá forma a quem o trabalha. Criamos e, ao mesmo tempo, somos recriados pelo que fazemos.
Ser artesão não é apenas um ofício, é um caminho. E enquanto houver mãos dispostas a transformar o simples em algo especial, a arte seguirá viva.